A ESCUTA
O fato vem antes da tese
Compreender sem antecipar
Todo conflito chega coberto por uma primeira narrativa. Ela merece respeito, mas não dispensa exame. Escutar não é concordar depressa, tampouco oferecer conforto automático; é permitir que o fato revele suas margens, suas ausências e aquilo que ainda não encontrou palavra. Às vezes, uma pergunta simples altera o sentido de um documento inteiro. Em outras, o silêncio entre duas versões diz mais que a segurança com que foram apresentadas. Antes de escolher a via jurídica, é preciso compreender o que realmente ocorreu, o que pode ser demonstrado e o que o tempo já tornou irreversível. A boa orientação começa nesse instante: quando a pressa cede lugar à compreensão.